9 de abril de 2019
Na verdade, SIM e NÃO!! Para quem não sabe, existe uma condição fisiológica chamada Dificuldade de Aprendizado, que não tem nada a ver com a visão. Claro que para fazer o diagnóstico de dificuldade de aprendizado, primeiro precisamos saber se a criança enxerga bem, com ou sem óculos, e corrigir qualquer ametropia que exista. Depois, seguimos os outros passos...
Vamos agora falar sobre essa condição:
O QUE É UMA DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM (DA)?
Uma dificuldade de aprendizagem é uma condição vitalícia que interfere na capacidade de aprender. É um distúrbio neurológico que afeta a capacidade do cérebro de processar, armazenar e responder à informação. Existem diferentes tipos de dificuldades de aprendizagem que podem afetar diferentes áreas de processamento, como aprender a ler, compreensão de leitura, escrita e ortografia, organização de linguagem escrita e falada, operações matemáticas, tomada de decisões e desenvolvimento de habilidades motoras finas. Indivíduos com LD podem ser particularmente dotados em outras habilidades e são tipicamente de inteligência normal.
QUÃO COMUM É A DA?
A DA pode afetar até 15-20% da população; das pessoas afetadas, aproximadamente 85% têm dislexia (dificuldade de aprendizagem baseada na linguagem).
QUEM TEM MAIS PROBABILIDADE DE TER UM DA?
A DA afeta pessoas de todas as origens e inteligência, independentemente de gênero, raça ou inteligência. A dislexia pode ser familiar.
COMO A DA É DIAGNOSTICADA?
O diagnóstico de DA é baseado em uma avaliação formal da capacidade intelectual, processamento informacional e processamento linguístico. Pesquisas neurológicas recentes em pacientes com dislexia mostraram que pode haver anormalidades neuro-anatômicas, que podem interferir tanto na aquisição quanto no processamento da linguagem escrita e falada.
QUAL O PAPEL DA VISÃO NA DA?
Anormalidades visuais não foram encontradas para afetar a capacidade do cérebro para processar estímulos visuais e crianças com DA não têm aumento da incidência de doença oftalmológica. A consulta oftalmológica deve ser fornecida às crianças que não passarem nos testes de triagem visual. Isso permite o diagnóstico e a terapia de condições oculares tratáveis, como erros de refração e desequilíbrios nos músculos oculares.
COMO A DA É TRATADA?
A maioria das escolas realizará uma avaliação de educação especial para ver se o seu filho tem alguma dificuldade de aprendizagem se o pedido for submetido por escrito. O tratamento envolve modificações acadêmicas para ajudar a criança afetada a ter sucesso. Muitas vezes, isso requer orientação individualizada, técnicas de ensino multissensoriais e maximização das forças acadêmicas. É importante conversar com sua escola sobre Programas de Educação Individualizada. Como existem muitos tipos de dificuldades de aprendizagem, não existe um tipo específico de plano de tratamento e cada criança deve ser considerada individualmente.
Os pais e a escola devem regularmente revisitar e reavaliar as acomodações de aprendizagem da criança para ver o que está funcionando, o que não está e o que deve ser mudado. Não há evidências científicas que sugiram que o treinamento visual, exercícios ortopédicos, treinamento visual perceptivo, ou lentes de óculos coloridas melhoram o desempenho acadêmico em crianças com LD. Tenha em mente que as pessoas com DA não podem ser “curadas” e os sintomas não desaparecerão com o tempo. No entanto, seu filho pode aprender como diminuir o impacto da DA com intervenções, terapias e acomodações baseadas em pesquisa.
Existem muitas organizações e sites que podem fornecer informações, grupos de discussão e links para outros sites relevantes. Aqui estão alguns exemplos:
A Associação Internacional de Dislexia
Great Schools – Um site de informação para pais e crianças com dificuldades de aprendizagem.
OBS: Essas informações foram colhidas no site da Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo (AAPOS) e está de acordo com a Declaração oficial de política conjunta (2009) para dificuldades de aprendizagem, dislexia e visão da Academia Americana de Pediatria, da Associação Americana para Oftalmologia e Estrabismo Pediátrico e da Academia Americana de Oftalmologia; e a declaração de política (2001) da Academia Americana de Oftalmologia sobre terapia da visão para dificuldades de aprendizagem.
escrito por
A paixão da Dra. Ana Carolina Cassiano por crianças sempre existiu. Mas foi depois de se tornar mãe que essa vocação ficou ainda maior. Sabia que seguiria a carreira de médica desde os 14 anos. Cursou medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, formando-se em 2004. Optou por se especializar em oftalmologia por afinidade. Sentia que era isso que queria fazer para o resto da vida.
Quer saber tudo sobre a sáude ocular dos seus filhos? Inscreva-se em nossa news.